
Para quem disse que nao garantia assiduidade e disciplina em escrever nesse blog, até que voltei bem rapidinho. O fato é que já fui reforçada (!) e, ademais, a verdade é que 'obsessivinha' que sou, vim no trem pensando em tantas coisas que já poderia ter postado aqui desde que cheguei nessa Europa. Enfim, historinhas que, certamente, gostarei de contar aos meus netinhos... Nao seriam poucas coisas... Pois bem, alimentando essa minha neurose, vou contar logo sobre o meu primeiro dia aqui. O 19 de setembro de 2007. O fato é que já cheguei levando 'toco'. E em português, para já nao ter a desculpa de dizer que nao entendi bem o que disseram. [Isso é outra coisa, já conto. A questao é que, quando cheguei, desenvolvi uma espécie de mecanismo de defesa contra "patadas" - ou diferenças culturais - simplesmente nao entendia o que as pessoas me diziam quando se tratava de uma "expressao mais diferente"]. Enfim, voltando. Foi em Portugal, em Lisboa, na conexao para vir a Madrid. Foi-me dito que o aprendizado aqui seria intenso e que todos os dias eu aprenderia algo novo.
Pois bem, já em poucos segundos pisando no Velho Continente aprendi que, na Europa, nao se pode chamar o outro por um simples e corriqueiro 'psiu'. Sim, esse mesmo que, no nosso querido Brasil, é inclusive um instrumento de paquera "callejera". [Tudo bem que, nesse contexto, trata-se de algo dispensável]. O fato é que cheguei e já fui chamando a fulana do aeroporto para pedir informaçao sobre onde seria meu próximo embarque.
-Psiu, psiu... [ela estava longe, havia uma faixa que impedia meu acesso a ela e o local estava ultra barulhento]
-Psiu, psiu... [ainda que barulhento, tinha certeza de que ela me havia visto chamá-la]
-Psiu, ei... [eu acenava com o braço, já. E a fulana, entao, me lançou um olhar ultra mal humorado]
Tive que insistir, eu precisava da informaçao...
-Ei... psiu...
E, entao, ela veio com quatro pedras na mao:
- PSIU NAO, FAZ FAVOR. EU EXIJO RESPEITO.
A minha cara, certamente, foi aquela do msn que tem uma ondinha no lugar da boca. " Que foi que eu fiz de errado?!" Eu nao entendia e aquilo me abateu muito. Nao tive a intençao de ser desrespeituosa com ninguém. E fiquei pensando nisso por dias. Na verdade, só fui esclarecer algumas semanas depois, quando meu primeiro amigo daqui, um alemaozinho chamado Sascha, me esclareceu sob muita gargalhada: 'é que aqui usamos 'psiu' para chamar animais. Cachorros, por exemplo'.
Bom, o fato é que, passado o abatimento inicial, eu já pensava na fulana como uma VACA grosseira e, entao, até que pensei que o 'chamamentozinho' lhe havia caído bem... muito bem...
Coitada. rs